DECISÃO JEAN CARLOS SIMÕES e MARCELO FERNANDES TRINDADE interpõem recurso especial, com base no art — REsp REsp 2183172
Análise documental baseada na ementa oficial do Superior Tribunal de Justiça, organizada para consulta e compreensão do precedente.
Comentário editorial
Nesta leitura prática, a decisão é organizada para mostrar o que o STJ efetivamente registrou e quais dados devem ser conferidos antes de transportar o entendimento para uma situação cotidiana. O recorte processual é REsp, julgado por Decisão terminativa ou acórdão publicado no Diário da Justiça, sob relatoria de ROGERIO SCHIETTI CRUZ.
Para o cidadão, o ponto essencial é não tratar a ementa como uma regra automática: fatos, pedidos, fase processual e legislação aplicável precisam ser comparados com o caso concreto. Quando o julgamento repercutir em mobilidade, veículos, sanções ou direitos do condutor, essa conexão deve estar expressa no próprio texto oficial.
Pontos centrais da ementa
- DECISÃO JEAN CARLOS SIMÕES e MARCELO FERNANDES TRINDADE interpõem recurso especial, com base no art.
- 105, III, "a", da CF, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná na Apelação Criminal n.
- Consta dos autos que Jean Carlos Simões foi condenado à pena de 2 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial aberto, e Marcelo Trindade a 2 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão, ambos pela prática do crime previsto no art.
- Nas razões do recurso especial, a defesa aponta a violação dos arts.
Resultado indicado
No entanto, ele não há de ser conhecido, conforme exposto a seguir.
Tese jurídica registrada
Não conhecido o recurso de #{nome_da_parte} #{campo_livre_final} — Não Conhecendo
Tema
4291, 3565, 11353, 10621, 10926, 3664
Ementa oficial
DECISÃO
JEAN CARLOS SIMÕES e MARCELO FERNANDES TRINDADE interpõem recurso especial, com base no art. 105, III, "a", da CF, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná na Apelação Criminal n. 0026833-68.2018.8.16.0013.
Consta dos autos que Jean Carlos Simões foi condenado à pena de 2 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial aberto, e Marcelo Trindade a 2 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão, ambos pela prática do crime previsto no art. 305 do Código Penal Militar.
Nas razões do recurso especial, a defesa aponta a violação dos arts. 157, 158-A, e 158-B, ambos do CPP, e 422, § 1º, do CPC. Aduz, em síntese, que a condenação se haveria baseado em provas ilícitas, porquanto, no seu entender, houve quebra da cadeia de custódia no tocante às capturas de tela mencionadas no decreto condenatório. Alega, também, que o aparelho celular do qual foram extraídas as referidas imagens não foi submetido à perícia técnica, motivos pelos quais requer a absolvição do acusado.
Apresentadas as contrarrazões e admitido o recurso, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do especial (fls. 26.973-26.984).
Decido.
I. Admissibilidade
De início, constato a tempestividade do recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal. No entanto, ele não há de ser conhecido, conforme exposto a seguir.
II. Cadeia de custódia
A defesa argumenta que a condenação se haveria baseado em elemento probatório em relação ao qual não foi observada a cadeia de custódia. No ponto, sustenta que os elementos de prova apresentados pela acusação e que, segundo alega, serviram de base para toda a ação penal, é nula por ausência de confiabilidade.
Segundo o disposto no art. 158-A do CPP, "Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte".
Doutrinariamente, a cadeia de custódia da prova tem sido conceituada como um "método por meio do qual se pretende preservar a integridade do elemento probatório e assegurar sua autenticidade em contexto de investigação e processo" (PRADO, Geraldo. A cadeia de custódia da prova no processo penal. 2. ed. Rio de Janeiro: Marcial Pons, 2021, p. 162).
Gustavo Badaró, por sua vez, leciona que "a cadeia de custódia em si deve ser entendida como a sucessão encadeada de pessoas que tiveram contato com a fonte de prova real, desde que foi colhida, até que seja apresentada em juízo"
[trecho intermediário suprimido]
tocante à ausência de perícia técnica no aparelho celular do qual foram extraídos os diálogos, em que pese a parte haver oposto embargos de declaração, constato que tal questão não foi enfrentada pela Corte de origem. Com efeito, a simples menção à autorização judicial para a realização do exame pericial não é suficiente para atender ao requisito do prequestionamento, uma vez que não houve o enfrentamento da tese defensiva.
Assim, constato que a matéria não foi prequestionada, o que atrai a incidência das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF e impede o conhecimento do recurso especial nesse ponto.
Nessa perspectiva: "A ausência de prequestionamento constitui óbice ao exame da matéria pela Corte Superior, a teor das Súmulas 282 e 356 do Pretório Excelso" (AgRg no AREsp n. 1.260.175/DF, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 15/6/2018).
IV. Dispositivo
À vista do exposto, não conheço do recurso especial.
Publique-se e intimem-se.
EMENTA
Fonte e transparência
Conteúdo documental proveniente do conjunto oficial de dados abertos do STJ. Consulte também a pesquisa de jurisprudência do STJ e o arquivo oficial de origem deste registro.
Aviso: este material tem finalidade informativa e documental. Não constitui parecer jurídico nem garante aplicação do entendimento a outro processo.