DIREITO PROCESSUAL PENAL — AgRg no HC 1023873
Análise documental baseada na ementa oficial do Superior Tribunal de Justiça, organizada para consulta e compreensão do precedente.
Comentário editorial
Nesta leitura prática, a decisão é organizada para mostrar o que o STJ efetivamente registrou e quais dados devem ser conferidos antes de transportar o entendimento para uma situação cotidiana. O recorte processual é AgRg no HC, julgado por QUINTA TURMA, sob relatoria de MARIA MARLUCE CALDAS.
Para o cidadão, o ponto essencial é não tratar a ementa como uma regra automática: fatos, pedidos, fase processual e legislação aplicável precisam ser comparados com o caso concreto. Quando o julgamento repercutir em mobilidade, veículos, sanções ou direitos do condutor, essa conexão deve estar expressa no próprio texto oficial.
Pontos centrais da ementa
- Há duas questões em discussão: (i) saber se é cabível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, diante da inexistência de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia; e (ii) saber se é legítima a exigência de exame criminológico, para fins de progressão de regime prisional, com fundamento em circunstâncias concretas do caso e no histórico criminal do apenado, à luz da irretroatividade da Lei n.
- A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça inadmite o habeas corpus substitutivo de recurso próprio, salvo na presença de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia, conforme autoriza o art.
- 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico como requisito para progressão de regime (art.
- 112, § 1º, da LEP), possui conteúdo mais gravoso e, portanto, não admite aplicação retroativa; contudo, no caso concreto, o acórdão estadual expressamente consignou que a exigência do exame não se funda exclusivamente na nova redação legal.
Resultado indicado
Agravo regimental desprovido.
Ementa oficial
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. EXAME CRIMINOLÓGICO. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N. 14.843/2024. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Jefferson Willian de Oliveira contra decisão que não conheceu do habeas corpus impetrado para restabelecer decisão de primeiro grau que havia concedido progressão de regime, cassada pelo Tribunal de origem ao exigir a realização de exame criminológico, com fundamento em circunstâncias do caso concreto e no histórico criminal do agravante, reincidente e condenado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) saber se é cabível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, diante da inexistência de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia; e (ii) saber se é legítima a exigência de exame criminológico, para fins de progressão de regime prisional, com fundamento em circunstâncias concretas do caso e no histórico criminal do apenado, à luz da irretroatividade da Lei n. 14.843/2024 e da Súmula 439/STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça inadmite o habeas corpus substitutivo de recurso próprio, salvo na presença de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia, conforme autoriza o art. 654, § 2º, do CPP. 4. A Lei n. 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico como requisito para progressão de regime (art. 112, § 1º, da LEP), possui conteúdo mais gravoso e, portanto, não admite aplicação retroativa; contudo, no caso concreto, o acórdão estadual expressamente consignou que a exigência do exame não se funda exclusivamente na nova redação legal. 5. Nos termos da Súmula 439/STJ, admite-se a determinação de exame criminológico pelas peculiaridades do caso concreto, desde que em decisão motivada, sendo legítima a avaliação técnica mais aprofundada do requisito subjetivo quando presentes elementos que recomendem maior cautela na reinserção gradativa do apenado ao convívio social. 6. O Tribunal de origem reformou a decisão de primeiro grau com fundamentação concreta, destacando a reincidência do sentenciado, a natureza dos delitos (tráfico de drogas e associação para o tráfico, com pena total elevada) e a excepcionalidade da situação, entendendo necessária a avaliação criminológica prévia para aferição segura do requisito subjetivo para a progressão de regime, o que afasta a alegação de motivação genérica ou de ilegalidade manifesta. 7. Não se identifica ilegalidade flagrante que autorize a concessão da ordem de ofício, sendo legítima a atuação do Juízo da execução penal na avaliação do requisito subjetivo para a progressão de regime. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Agravo regimental desprovido.
Referências legislativas
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Fonte e transparência
Conteúdo documental proveniente do conjunto oficial de dados abertos do STJ. Consulte também a pesquisa de jurisprudência do STJ e o arquivo oficial de origem deste registro.
Aviso: este material tem finalidade informativa e documental. Não constitui parecer jurídico nem garante aplicação do entendimento a outro processo.